terça-feira, 20 de setembro de 2016

Capítulo 5 - Fuga e Perigos (Dawn)

Mais um ano, mais três treinadores escolhidos, cuidar dos pokemon ano a ano era uma tarefa simples e até divertida, mas Dawn sempre ficava com um vazio em seu coração quando os via partir todos os anos com seus novos treinadores. Ela gostava deles, mas não era apenas a dor de vê-los partir que assombrava a garota, ela queria ser como aqueles que vinham buscar os pequenos todo ano, ela queria ser uma treinadora. Ela era filha do renomado professor Rowan e isto a tornava quase que sua assistente.

Todo ano ela pedia ao pai para poder ser uma dos treinadores, mas ela era jovem demais era a resposta. Um ciclo que era para acabar aos seus 15 anos, mas de novo sua chance escapava pelas suas mãos, seu pai falava que a concorrência aquele ano estava muito alta, podia até ser verdade, mas Dawn sabia que era só uma mentira do pai, pois soube que por algum motivo o filho do senhor Fuego, um dos escolhidos, havia recusado seu inicial e Rowan em vez de dar o pokemon então para Dawn, ele o entregou para Ivson, um garoto qualquer de Jubilife. Quando ela confrontou o pai com aquela noticia, ele não soube contra argumentar e prometeu que ela seria uma das escolhidas do próximo ano.

Parecia ter acabado bem, contudo algo que ninguém esperava aconteceu, a gripe negra surgiu em Sinnoh, uma doença tão contagiosa e tão letal, que dizimou mais da metade da população do oeste da região em poucos meses, um mal grande o suficiente para transformar promessas em mentiras. Rowan não chegou a pegar a doença, nem mesmo Dawn, mas ela os afetou, Rowan nunca nunca deixaria Dawn sair em uma jornada com o continente naquele estado.

A calamidade causada pela doença fez com que fosse cancelada a distribuição dos iniciais naquele ano, destruindo assim as chances de Dawn se tornar a treinadora que desejava ser, mas com a descoberta da cura, o dever de dar os iniciais voltou para Rowan e as esperanças de Dawn se reacenderam, logo eles receberiam a medicina, ela poderia finamente realizar seu desejo de seguir seu caminho em sua jornada e o dia finamente havia chegado. Um representante da galáctica chamado Fábio trouxe para Dawn e Rowan uma dose da cura para cada por seus trabalhos nos estudos da doença.

Rowan colocou os tubos sobre a mesa da cozinha, ele ia aplicar nele mesmo primeiro, ele abriu a tampa do frasco e quando levantou a mão direita para injetar a agulha o telefone do laboratório tocou.

― Quer que eu atenda pai? ― Perguntou Dawn. Rowan colocou o pote de volta na mesa.

― Não, pode deixar que eu mesmo atendo. ― O homem se levantou e foi até o aparelho. ― Alo, laboratório de Sandgem, Rowan falando... A sim Lucas, não se preocupe, vou ver alguém para pegar você aí. ― Rowan pegou sua pokedex e digitou alguma mensagem para alguém. Logo o aparelho apitou, provavelmente a resposta. ― Lucas, um amigo meu vai pegar você no centro da sua cidade amanhã de manhã... Boa sorte, até amanhã.

Rowan desligou o aparelho e iniciou sua caminhada de volta a mesa, ele provavelmente estava falando com um dos treinadores escolhidos. Turtwig já havia sido levado para Eterna, faltava Chinchar e Piplup, qual deles esse garoto, Lucas, escolheria? Se perguntou a garota. Rowan chegou a mesa e com um rápido movimento ele aplicou a cura em si mesmo, o homem se retraiu e fez uma expressão de dor que Dawn nunca havia visto, de fato falavam que a cura era violenta, para descontrair ela tentou desviar a atenção do pai da dor.

― Qual será que vai ser o inicial que irá sobrar para mim? ― Perguntou olhando para a maleta no canto da mesa.

Rowan respirou fundo e bateu na mesa com força. Dawn se assustou e voltou a atenção ao pai.

― Nenhum. ― Ele respirou fundo novamente. ― Você não é uma das escolhidas.

Dawn não acreditara nas palavras do pai, ele havia dito que ela seria uma das escolhidas.

― Mas...

― Nada de mas! ― Cortou Rowan, ele urrou de dor enquanto o pote da cura vazio caia de seu braço. ― O continente não é mais o mesmo, não vou permitir que você saia numa jornada com Sinnoh neste estado.

― Pai não existe mais perigo! ― Gritou Dawn inconformada. ― Esta cura nos deixa imune contra a gripe. ― Falou apontando para a outra dose sobre a mesa.

― A questão não é esta Dawn Rowan! ― Rowan a chamou pelo nome completo, ele só o fazia quando estava irritado com a filha. ― Acha mesmo que os únicos perigos que existem no mundo são relacionados e esta doença? ― Ele pegou o pote. ― Isto aqui não lhe protege contra tudo sabia?

― Eu já não sou mais criança! Tenho 16 e você oferece pokemon para treinadores mais jovens do que eu!

― Não sou o responsável por aqueles que dou os iniciais, não cabe a mim decidir por eles, mas eu como seu pai não irei permitir que saia nesta viagem!

Dawn percebeu a muralha formada em volta da opinião de Rowan, sua inconformação passou a ser tristeza.

― Mas você prometeu. ― Falou com uma lagrima começando a escorrer de seu olho.

― O mundo mudou Dawn. ― Comentou Rowan mais calmo. ― Entenda que outra doença como esta pode surgir a qualquer minuto.

― O que aconteceu foi um desastre, não vai acontecer de novo. ― Dawn lembrou de todos os anos que não pode pegar um dos iniciais e percebeu que talvez o pai nunca fosse lhe dar a chance de ser uma das escolhidas. ― O mundo continua o mesmo, quem mudou foi as pessoas. Amanhã estou saindo em minha jornada. ― Dawn sabia que estava desafiando o pai, ela não iria mais esperar ele cumprir suas promessas.

― Eu não vou lhe dar um inicial. ― Falou Rowan ainda calmo.

― Não precisa, a maioria das pessoas saem em jornadas sem um de seus inicias. ― Receber um dos três iniciais de Rowan era uma grande honra em Sinnoh, muitos treinadores sonhavam em iniciar suas jornadas com um dos três pokemon especiais, mas apenas três treinadores por ano tinha tamanha sorte, a grande maioria tinha de se virar com alternativas, era comum os novos treinadores receberem pokemon de seus pais para iniciar uma jornada.

― Vai andar por ai sem um pokemon? Não sabe que isto é perigoso?

― Sei, mas o único perigo que me impedia minha jornada era a gripe negra, mas agora ela não vai mais me afetar.

Rowan olhou para o pote que estava em sua mão.

― Dawn, o que você esta dizendo é irresponsável e uma loucura. ― Ele balançou o pote com a cura. ― Este remédio pode curar a gripe negra e imunizar as pessoas contra ela, antes dele existir você era uma testemunha como qualquer outra, ele não muda o que somos. Enquanto você não entender isto, não vou permitir que você o tome. ― Rowan fechou sua mão sobre o pote e o guardou em seu bolso.

― Pai, me de o remédio. ― Pediu Dawn com seriedade.

― Não, estou impedindo uma loucura. ― Dito isto ele saiu da cozinha e bateu a porta atrás de si.
Aquilo foi apenas o começo da discussão, mesmo Dawn gritando para o pai lhe dar a cura, ele não o fez. Novamente ele estava a impedindo de fazer o que queria, no meio de toda aquela injustiça uma raiva nasceu no amago de Dawn e no ápice de seus gritos, Dawn acabou declarando ódio ao pai, era o que ela realmente estava sentindo, mas ao dizer aquilo se arrependeu e Rowan a mandou ir para o quarto pensar em suas ações, porém já não havia mais o que pensar, ela já tinha tomado sua decisão no inicio de toda aquela discussão.

Dawn iria sair em sua jornada, talvez realmente fosse loucura, mas ela sabia que a distribuição da cura já havia começado, era só ela chegar em Jubilife antes de contrair a gripe negra estaria tudo bem, ela passou o ano como testemunha, não ia ser agora que ela se tornaria uma infectada. Não tinha razão para ter medo. Foi para seu quarto como o pai pediu, não para refletir sobre o que falou ao pai, mas para se preparar para sair no dia seguinte. Ela se arrumou de acordo com o guia de treinadores, montando assim uma mochila com trocas de roupa e comida. Foi dormir cedo aquele dia, se queria que seu plano funcionasse, ela teria de sair bem cedo na manhã seguinte, antes de Rowan acordar.

Apesar de ter ido para a cama cedo, ela acabou não conseguindo dormir muito durante a noite. Seu nervosismo atrapalhou na hora de dormir, estava acordada quando o sol nasceu. Quando os primeiros raios de luz atravessaram sua janela, ela já estava se levantando, colocou sua roupa e pegou a mochila. Dawn saiu de seu quarto fazendo o menor barulho possível e se direcionou para a porta da frente do laboratório, quando chegou na sala de entrada quase gritou de susto ao ver Rowan sentado em sua poltrona lendo um livro, não era costume dele ler aquele horário, parece que não foi apenas a Dawn que teve problemas com o sono.

Sorte da garota que ele não havia percebido sua presença no recinto, mas tentar sair pela porta principal iria chamar a atenção dele com certeza, ela teria de sair por uma janela, foi até a cozinha, onde tinha uma grande janela e ficava no andar térreo do laboratório e abriu o vidro para sua jornada, porém antes de sair percebeu a maleta dos iniciais no canto da mesa.

― Um inicial? Por que não? ― Falou ela para si mesma enquanto caminhava para perto da maleta, aquilo nunca tinha passado pela cabeça dela. Sim ela queria iniciar sua jornada, mas roubar um dos iniciais? Ela abriu a maleta e lá estavam as pokebola de Chinchar e Piplup. ― Bom dia meus pequenos. ― Dawn tocou as esferas e se lembrou da promessa que o pai fizera no ano anterior. ― Era para um de vocês ser meu e você parecia ser o mais animado com a ideia de eu me tornar uma treinadora. ― Falou pegando a pokebola de Piplup.

Rowan não aprovaria Dawn pegar aquele pokemon, mas nada do que ela estava fazendo seria aprovado pelo pai de qualquer forma. Se ela ia realmente fugir para ser uma treinadora,  então que fosse com um dos iniciais! Dawn guardou a pokebola em sua mochila, fechou a maleta e foi de volta até a janela, mas antes de sair viu um bloco do folhas na prateleira ao lado da janela. Por um momento passou pela cabeça dela a preocupação do pai quando ele percebesse que ela não estava mais ali e acreditou ser melhor deixar uma carta de despedida para Rowan. Pegou um papel no monte e escreveu algumas palavras ao pai.

'Pai cansei de ver apenas outros treinadores saindo em suas viagens enquanto eu sou obrigada a ficar presa aqui em casa, cansei de ser apenas uma testemunha da minha própria vida. Estou pegando este pokemon e vou sair na minha própria jornada, não importa se você permite ou não, eu não temo a gripe negra, vou encontrar minha própria cura. Adeus.'

Assim que ela terminou de escrever, Dawn dobrou o papel e colocou dentro da maleta, no local onde estava a pokebola de Piplup, ali com certeza ele iria achar o bilhete. Agora sim estava tudo pronto, Dawn foi até a janela, a abriu e pulou para o lado de fora, antes de partir encostou a janela e se direcionou rua a cima, ela manteve um ritmo rápido de caminhada enquanto estava na cidade, tinha medo de algum morador a visse e a levasse de volta para casa. Contudo Dawn não correu, não queria chamar atenção para si.

Logo ela já estava chegando no inicio da rota 202, já estava fora de Sandgem, ela não ia voltar atras, a jornada que ela tanto sonhou estava para começar. Respirou fundo os ares de Sinnoh e se direcionou para o norte, seu destino era sua cidade natal, Jubilife, onde ela conseguiria a cura para a gripe negra.

<<< | >>> (em breve)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Notas do Autor - Capítulo 4 - 5em20

Olá leitores.
Estas são as notas do capítulo 4.

Parece que passou um tempo não, desculpem pela demora a postar o capítulo, coisas aconteceram em minha vida e eu perdi a vontade de escrever, mas não é justo com você que lê, com a história que criei e nem com a neo aliança que eu simplesmente pare minha história.

Temo que o hiatos que ocorreu possa ocorrer novamente, mas isso seria algo terrível, outro ano sem nada neste blog, faria com que não tivesse ninguém aqui além de eu mesmo. Quero ver a aliança crescer e não decrescer, mas para isso eu preciso fazer algo para mudar.



Desafio 5em20


O desafio 5em20 é nada mais que 5 capítulos em 20 dias. Espero com este desafio recuperar meu eu escritor, terminei o primeiro, faltam 4. O prazo se iniciou em 9 de setembro e acabará dia 29 de setembro, meu aniversario.

Penso estar escrevendo diferente de antes, talvez tenha mudado mais do que pensei, este capítulo pode ter sido o menor até agora, mas é assim mesmo. Os primeiros textos que escrevemos geralmente são pequenos.



Desculpem pelo desabafo aqui nestas notas. Até logo.

Capítulo 4 - O Inicial de Lucas (Lucas)

Riley parecia estar sofrendo muito, Lucas não sabia o que fazer. Ele esteve agindo estranho o dia todo, poderia ele estar com a gripe negra? Não... Nem faria sentido ele é um sobrevivente, Riley devia ser imune e era por isso que podia viajar, mas se não era a doença, então por que ele estava sofrendo tanto?

― Pare de lutar. ― Falou Barry irritado.

Lucas não esperava aquela fala dita por seu amigo, porque Barry iria querer que o Riley parasse de lutar? Lucas olhou assustado para o loiro e ele parecia estar realmente irritado, Lucas nunca tinha visto Barry daquele jeito, Barry estava sempre feliz e nunca deixava suas emoções negativas se mostrarem. Lucas ia perguntar o que deixou ele tão nervoso, mas Riley o cortou.

― Nossa já estamos chegando em Sandgem! ― Riley pegou uma pokebola de seu bolso e liberou um de seus pokemon. ― Prometi ao Lucario que ele estaria ao meu lado quando fosse entrar na cidade. ― Assim que Lucario se materializou ao lado de Riley, ele encarou Barry e se posicionou para um combate.

― O que esta fazendo Riley!? ― Perguntou Lucas nervoso, aquele pokemon era um perigo, o que podia acontecer se Lucario atacasse o Barry novamente?

― Estou liberando meu pokemon, ele sempre anda ao meu lado. ― Ele se ajoelhou ao lado de Lucario e colocou sua mão na cabeça dele. ― Não vai acontecer nada, esta tudo bem, certo Lucario? ― O pokemon olhou desconfiado para os lados, mas logo se acalmou e balançou a cabeça afirmativamente. ― Viu, não a nada para se preocupar.

Riley disse aquelas palavras com um sorriso no rosto, mas ele não devia agir daquela forma, mesmo que o pokemon não estivesse atacando agora, quem iria garantir que ele não atacaria novamente no futuro? Aquilo ainda preocupava Lucas, mas ele não tinha argumentos contra Riley.

― Certo, vamos continuar para Sandgem. ― Falou Lucas ainda não muito certo em relação a Lucario. Riley se aproximou de Lucario e falou algo baixo em seu ouvido, Lucas não conseguia ouvir o que ele falava ao pokemon. Lucario afirmou com a cabeça novamente e fechou os olhos. ― Vamos ou não?

― Vamos sim. ― Falou Riley se levantando e indo em direção a Lucas, com Lucario caminhando ao seu lado ainda de olhos fechados.

― O que ele esta fazendo? ― Perguntou Lucas receoso com a situação.

― Nada de mais, ele esta apenas observando a aura a nossa volta, Lucario é um pokemon muito especial, ele consegue sentir as auras de diferentes seres vivos a nossa volta, mesmo de olhos fechados ele consegue sentir nossa presença. ― Lucas estava um pouco receoso ainda com o pokemon. ― Sabe Lucas. ― Riley apoiou sua mão no ombro do garoto. ― Auras não conseguem esconder intenções, Lucario apenas atacaria Barry se ele apresentasse algum perigo a mim.

Lucario abriu os olhos encarando Barry e apontou sua pata na direção do loiro. Riley olhou para seu pokemon e depois para Barry.

― Ali? ― Falou Riley com uma expressão confusa. ― Não entendo.

― Para falar a verdade, eu também não entendo nada dessa coisa de auras. ― Falou Barry animado continuando no caminho para Sandgem. ― Vamos logo, não quero ficar aqui até amanha.

― Verdade, vamos! ― Respondeu Lucas seguindo o amigo.

O grupo continuou caminhando até a cidade e logo chegou ao seu destino. A cidade não era um dos maiores centros urbanos de Sinnoh, mas sem duvida era maior que Twinleaf. Isso foi visível logo de cara, pois ela tinha ruas asfaltadas e sinalizadas, a cidade recebia grande suporte tecnológico devido sua proximidade com a capital Jubilife, por causa desse grande desenvolvimento muitas pessoas foram procurar paz em cidades menores como Twinleaf.

O laboratório de Rowan ficava logo na entrada da cidade, o prédio era inconfundível, sem duvidas a maior construção de toda Sandgem. Os viajantes logo entraram no local, ele era espaçoso cheio de diferentes maquinas e vários tanques de diferentes tamanhos, logo no hall de entrada havia um grande aparelho de televisão e o ambiente tinha várias estantes de livros, sentado em uma poltrona perto de uma destas estantes estava um velho lendo um livro, ele parecia estar perdido em pensamentos, como se o livro não estivesse ali. Quando o homem percebeu a presença do grupo, ele pareceu se assustar, fechou o livro e se levantou.

― Ola Riley, como foi a viajem? ― Falou o homem.

― Já tive melhores. ― Respondeu Riley enquanto o velho se aproximava do grupo. ― Aqui esta Lucas, como o senhor pediu.

― Ola meu jovem, eu sou Rowan. ― O professor estendeu a mão para o garoto e eles se cumprimentaram. ― Parabéns você é um dos três treinadores escolhidos para receber um dos iniciais deste ano.

― Muito obrigado professor.

― Foi nada. Vamos pegar seu pokemon? ― Rowan guiou o grupo para algum lugar no fundo do laboratório.

Riley foi ao lado do professor conversar sobre algum assunto relacionado ao lago da verdade e Barry logo fez a pergunta que Lucas sabia que ia ter que responder mais cedo ou mais tarde.

― Então Lucas, qual vai ser seu inicial?

― Ainda não me decidi, qual foi o que você pegou? ― Barry riu da pergunta.

― Eu peguei o melhor é claro! O Piplup. ― Desta vez foi o Lucas que deixou escapar uma risada.

― Então eu vou ficar na vantagem, vou pegar o Turtwig.

― Não devia escolher seu pokemon com base nas escolha dos outros. Você tem que viver sua própria jornada!

― Eu sei, mas sabe, não importa o inicial, já estou feliz de poder estar saindo nesta jornada. ― Lucas respirou fundo. ― É como viver um sonho.

― Sim... este é o seu sonho. ― Falou Barry em tom triste, Lucas colocou a mão sobre o ombro do amigo.

― Não a motivo para ficar triste, sei que você acabou iniciando a jornada mais cedo, mas ainda podemos viajar juntos, certo? ― Lucas puxou o amigo para perto. ― Quando eu for forte o suficiente vou querer aquela batalha que prometemos!

O grupo entrou em uma sala, diferente do outro ambiente, o local era muito mais próximo a uma casa do que um laboratório em si, era uma cozinha, tendo até uma geladeira. Rowan foi até uma mesa próxima com Riley, enquanto os garotos apenas observavam o local. O professor pegou uma pokedex da mesa e trouxe até Lucas.

― Esta é a pokedex, ela serve como seu documento de treinador. ― Rowan abriu o aparelho. Ela tinha duas telas, a de baixo tinha um teclado touch e a de cima mostrava uma foto de lucas com seus dados ao lado. ― Ela registra todos os pokemon que você pegar, escaneia aqueles que você encontra e lhe informa um pouco sobre o mesmo. ― Ele apontou o aparelho para Lucario e apertou um botão do objeto. Uma voz metálica soou do aparelho.

'Lucario, o pokemon aura. Ele consegue sentir a aura de todos os objetos e pessoas, conseguindo assim perceber coisas que outros pokemon não percebem.'

― Bem, isto foi apenas um pequeno resumo. ― Continuou Rowan. ― Você pode ler mais sobre o pokemon na pagina dele. Outro importante uso da pokedex é mandar mensagens, desse jeito você consegue se comunicar com qualquer um que você conhecer em sua viagens, inclusive comigo se precisar saber de mais alguma coisa. ― O professor entregou a pokedex a Lucas.

― Muito obrigado professor. ― Falou o garoto pegando o objeto.

― Agora vamos ao seu pokemon. ― Rowan caminhou até uma maleta que estava em cima da mesa e fez um sinal para Lucas se aproximar.

― Eu já sei qual eu vou pegar professor, vai ser o Turtwig!

― Desculpe Lucas, mas ele foi para Eterna, Gardenia reservou o Turtwig para um treinador. ― Lucas fez uma cara de decepção e Barry começou a rir. ― Mas não se preocupe os outros ainda estão aqui.

― Então eu vou querer o Piplup. ― Ele encarou o amigo que anida estava rindo. ― Se não posso ter vantagem, então o meu sera ainda mais forte que o seu. ― Falou ele irritado.

Rowan abriu a maleta e lá havia três encaixes para pokebola, cada um tinha o nome de um inicial. Onde estava escrito Turtwig, estava vazio. Onde estava, Chinchar havia uma pokebola e onde estava es Piplup, havia apenas um papel dobrado. Barry começou a rir ainda mais e quando Lucas percebeu o motivo não acreditara.

― Só sobrou o Chinchar? ― Perguntou ele desiludido.

Rowan se espanto com o comentário do garoto, mas quando ele olhou para a maleta e viu o bilhete, seu rosto passou de espanto para preocupação, ele pegou o bilhete e abriu para ler, enquanto Lucas foi andando até a maleta para pegar a bola de Chinchar. O garoto apertou o botão da esfera rubra e dela saiu um pequeno macaco laranja e beje, com uma chama na base de suas costas.

Lucas ainda não conseguia acreditar que ele havia ficado com o último, ainda mais com a sua última opção. Estava ele tão atrasado assim? O pequeno macaco a frente dele sorriu e ele acabou por sorrir de volta, ainda sim era seu primeiro pokemon, como ele tinha dito antes, não importava o inicial e sim a viajem que estava por vir.

― Dawn! ― Gritou Rowan em fúria, jogando o bilhete em cima da mesa e saindo as pressas da sala. Nenhum dos jovens parecia ter entendido o que havia acontecido, Riley foi até a mesa e pegou o bilhete e pareceu ter visto um fantasma.

― Essa garota só pode estar brincando! ― Ele deixou o bilhete sobre a mesa e foi atrás de Rowan com Lucario o seguindo. Logo mais um grito de Rowan chamando pela tal da garota ecoou pelo laboratório.

Lucas ficou curioso e foi ler o bilhete também.

'Pai cansei de ver apenas outros treinadores saindo em suas viagens enquanto eu sou obrigada a ficar presa aqui em casa, cansei de ser apenas mais uma testemunha. Estou pegando este pokemon e vou sair na minha própria jornada, não importa se você permite ou não, eu não temo a gripe negra, vou encontrar minha própria cura. Adeus.'

― A garota é uma testemunha? ― Perguntou Lucas.

― Improvável. ― Respondeu Barry. ― Ela deve ter tomado a cura como você, não? ― Perguntou ele de volta.

― Aqui não diz nada. ― Os gritos de Rowan ecoaram pela casa novamente.

Lucas ficou preocupado com aquela situação e seguiu o grito até a sala de entrada do laboratório. Barry e Chinchar seguiram Lucas. Lá estava Riley e Rowan perto da porta.

― Rowan sua filha já é imune? ― Perguntou Riley puxando o professor com força para ele se acalmar. Rowan pareceu não estar vendo Riley a sua frente e então o jovem deu um soco no rosto de Rowan. ― Rowan responda minha pergunta. ― Gritou Riley.

Rowan quase caiu com o golpe, mas aquilo pareceu ter trazido ele de volta a si.

― Não. ― Falou Rowan em um tom baixo e triste. Ele foi caminhando até a poltrona que estava mais cedo e se sentou nela. Ele então colocou a mão sobre o local onde Riley havia socado. ― Dawn onde você foi? ― O professor parecia estar novamente estar perdido em seus pensamentos.

― Absol preciso de você. ― Falou Riley enquanto um pokemon quadrupede branco e azul se formava a sua frente. O pokemon era lindo, Lucas nunca tinha visto nada como ele. Riley retirou uma seringa da cura de seu bolso e colocou enrolado num pano. ― Absol, leve isto a filha de Rowan, você deve lembrar dela, uma garota de cabelo preto azulado. ― O pokemon abaixou a cabeça e Riley prendeu o pano no pescoço de seu pokemon. ― Por favor seja rápido.

Quando Riley terminou seu pedido ao seu parceiro, o pokemon se virou e num simples salto ele desapareceu da vista de Lucas, aquela velocidade parecia superar a do ataque que Lucario fizera a Barry mais cedo aquele dia.

― Rowan, vou encontrar sua filha. ― Falou Riley saindo do laboratório. ― Lucario, mostre o caminho. ― O pokemon seguiu seu mestre e ambos seguiram o caminho tomado por Absol.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Notas do Autor - Capítulo 3 - Arcos

Olá leitores!
Trago para vocês as notas do capítulo 3 ^^

Para que esta se perguntando se eu vou fazer as notas para o capítulo 1 ou 2, a resposta é provavelmente não, pois não acredito que as notas do autor sejam um meio legal de comunicação entre escritor e leitor. Podemos fazer isto de maneira muito mais pessoal pelos comentários!

Mas não significa que elas não vão existir, sempre vai ter um ou outro capítulo que eu vou fazer as notas para falar alguma curiosidade ou detalhe extra sobre a história que não vai ser contado nos capítulos!


Certo agora vamos falar sobre o motivo destas notas.


Como você pode ter percebido, na pagina dos capítulos, agora tem uma nova divisória! Elas são os arcos, eles vão funcionar como as temporadas de uma série. Neles vamos ter um enredo principal e normalmente ao final do arco algum grande evento na trama ocorrerá.

Criei estas divisória para facilitar a organização dos capítulos, dessa maneira será muito mais fácil qualquer um conseguir localizar o momento da história que cada capítulo estará inserido.

Não existe tamanho fixo para os arcos, pode variar dependendo da importância e quantidade de personagens participantes, vamos pegar o primeiro arco como exemplo: A utopia de Lucas será um arco mais curto, teremos provavelmente 9 ou 10 capítulos.

Ao final de cada arco, será lançado um capítulo especial bônus! Sim, teremos especiais aqui na Neo Sinnoh e eles vão ser postados exclusivamente aqui no Blog! Os especiais teram como protagonista, um não protagonista! Como assim Marcelo? Bem os protagonistas são os personagens que contam a história, Riley por exemplo, um não protagonista existe na história, mas não a conta, Carlos Fuego Junior por exemplo.



Bem era isso que eu tinha para falar, espero que estejam gostando da Neo Sinnoh e vejo vocês na próxima! Até lá!

sábado, 19 de setembro de 2015

Capítulo 3 - Ilusão e realidade (Riley)

A cafeteria do centro estava tão mal cuidada quanto à recepção, Riley se surpreendeu ao saber que parte da comida do lugar ainda estava em condições de consumo, afinal já fazia uns quatro ou cinco meses que o lugar não recebia a devida atenção. Todos os alimentos mais perecíveis estavam estragados, contudo é obrigatório um centro de Sinnoh ter em seu depósito: cereais e grãos, para um caso de emergência. Provavelmente a pessoa que havia pensado nestes depósitos devia ter tido uma ideia diferente de emergência.

Miriam estava muito prestativa ao atender Riley, ela logo o acordou no início da manhã e prontamente ofereceu ao viajante o café da manhã. Entretanto quando Riley chegou ao refeitório, pensou logo em desistir do convite, principalmente por causa do cheiro de mofo do lugar.

― Não seja tão receoso, este lugar não está tão ruim! ― Falou Miriam exalando animação. ― O que vai querer comer?

Riley ainda estava com um pouco de receio de pedir qualquer coisa, mas acabou por ceder à insistência da mulher.

― Um café e uma barra de cereais vão ser o suficiente. ― Respondeu o jovem enquanto tirava o pó de uma cadeira do balcão para se sentar.

A mulher passou um pano pelo balcão e por cada louça antes de separa para o garoto, ela ligou a maquina de café e esta fez um forte barulho de motor raspando, mas logo Miriam deu um forte soco na parte superior do aparelho, fazendo o barulho parar e logo um liquido negro começou a cair dentro da pequena xícara.

― Me diga novamente Riley, o que o trás até esta pequena cidade? ― Perguntou Miriam enquanto colocava o café sobre o balcão.

― Estou a serviço de Rowan, vou levar um novo treinador, chamado Lucas, até Sandgem. ― Respondeu Riley enquanto cheirava a bebida negra a sua frente e para sua surpresa o aroma estava ótimo e tomou um grande gole da bebida.

― Lucas? Lucas Yue? ― Indagou a mulher em tom de preocupação enquanto abria a dispensa.
Riley pegou a pokedex e mostrou a foto do garoto para ela.

― Este Lucas. ― Riley guardou o aparelho e deu uma mordida numa barra de cereal que Miriam acabara de servir. O alimento estava um pouco seco, mas nada que o café não pudesse resolver.

― Sim, este é Lucas Yue. Bom saber que ele esta partindo dessa cidade. ― Miriam começou a preparar outro café. ― Ele é mais um órfão da gripe. ― Continuou ela com uma voz que mostrava tristeza. ― Ele perdeu toda a família para este mal.

― Então é por isso que Rowan falou que não tinha ninguém para acompanhar o garoto. ― Concluiu Riley. Miriam tomou o segundo café preparado na máquina e começou a lavar os objetos usados no desjejum.

― Sim, mês passado, quando o pai dele faleceu. Pensamos que seria melhor mandar o garoto para o orfanato de Eterna, mas assim que ele soube da possibilidade, fugiu da vila. ― Miriam começou a guardar as louças limpas. ― O encontraram dois dias depois vagando nas proximidades do lago da verdade.

― Esse era o garoto perdido? ― Perguntou Riley espantado. Ele tinha ouvido falar que um garoto testemunha estava desaparecido, na época que o centro de pesquisas estava sendo desativado. ― Que bom que o encontraram.

― Sim foi um alívio, mas o alívio maior é saber que ele agora vai iniciar uma jornada. ― Um som de sino tocou na cafeteria. ― Alguém acabou de entrar no centro, deve ser Lucas, vamos descer?

― Vamos sim. Muito obrigado pelo café, estava ótimo.

Miriam pareceu feliz com o elogio, contudo logo seu sorriso desapareceu. Eles foram andando em silêncio até o corredor que dava acesso as escadas para a recepção, no meio do percurso Miriam estende o braço para Riley.

― Pegue isso de volta. ― Ela estava com a cura nas mãos.

― Pode usar, é um presente. ― Falou Riley empurrando a mão da mulher para longe. Eles começaram a descer a escada e Miriam colocou o remédio na mão de Riley.

― Sou testemunha por opção, uma espectadora. ― Falou a mulher em voz baixa e Riley entendeu, guardando então o remédio em seu bolso.

Riley ficou um pouco irritado com Miriam, mas não podia fazer nada, algumas pessoas, mesmo que imunes a doença, se recusam a ajudar os outros. Estes são os espectadores, os sobreviventes que agem como testemunhas. O jovem respirou fundo enquanto aceitava a maneira da mulher de ser, naquele momento percebeu o garoto da foto parado no meio da recepção.

― Você é Lucas? ― Perguntou Riley para ter certeza e o garoto confirmou. ― Ótimo, eu sou Riley, serei seu guia para Sandgem, pronto para iniciar sua jornada?

Lucas olhou para o lado e permaneceu em silêncio. Riley não podia culpar o garoto de estar apreensivo. Afinal muita coisa devia estar passando pela cabeça dele naquele momento, talvez ele só precisasse de uma ajuda para superar o momento.

― Então. ― Reforçou Riley. ― Está ou não pronto para sua jornada?

― Sim, é como Barry disse. Pode apostar que sim!

― Barry? ― Indagou Riley em voz baixa e deu uma olhada rápida pelo lugar, mas apenas Lucas estava presente no ambiente. Miriam deu uma cotovelada na barriga dele e quando o jovem olhou para a mulher em dúvida, ela apenas balançava a cabeça negativamente.

― Barry espere! ― Falou Lucas enquanto andava em direção a porta da frente. ― Riley, nós iremos esperar lá fora!

O garoto saiu pela porta e Miriam foi caminhando em direção do balcão.

― Ei cúmplice. O que você sabe sobre isso? ― Riley ainda estava nervoso por causa da revelação da mulher, por isso acabou chamando-a por aquele nome. Miriam bufou e foi limpar as máquinas do centro, parecia ofendida. ― Desculpe.

A mulher olhou para ele com o canto do olho.

― Não mais do que você, essa cidade trata as pessoas como eu de maneira indiferente. ― Ela fez uma pausa e encarou o garoto. ― Só soube das coisas de que te contei, pois esses vândalos invadiram meu centro para procurar por esse pirralho. ― Ela falava enquanto apontava para a porta. Então ela bateu a mão na mesa e falou num tom frio. ― Saia daqui. Este centro esta desativado.

― Obrigado pela noite. ― Agradeceu Riley, ele realmente não devia ter chamado Miriam de cúmplice, essa ofensa foi criada pelos infectados para aqueles que eram imunes, mas se recusavam a ajudar os doentes. O jovem seguiu para a saída do centro. Naquele momento o melhor a fazer era ir embora.

No lado de fora, estava Lucas apontando para as casas da cidade.

― A velha louca mudou para aquela casa no meio do ano passado. ― Falou o garoto olhando para o lado, mas não havia ninguém ali. ― Sim, nada para aquela bruxa.

Riley olhou para a casa que o garoto apontava, mas a dita construção parecia estar abandonada, as portas e as janelas estavam fechadas e uma faixa negra estava pendurada na varanda. Eram mais vítimas da gripe.

― Lucas. Temos que ir agora, se não nós chegaremos a Sandgem de noite. ― Falou Riley enquanto liberava seu parceiro Lucario da pokebola. O pokemon latiu feliz ao ver seu treinador. ― Dormiu bem? ― Ele assentiu e Riley sorriu.

― Nossa um Lucario! ― Falou Lucas surpreso. ― Sério? Posso ver? ― Garoto ainda continuava a falar com o vento e então ele encarou Riley. ― Você aceita?

― Aceitar o que? ― Perguntou o Riley confuso.

― Barry falou que só iria mostrar o Lucario dele se fosse numa batalha contra o seu.

Riley olhou para seu Lucario, mas o pokemon parecia estar tão confuso quanto o treinador.

― É... Desculpe, mas não vai dar. Prometi para o Rowan que iríamos chegar cedo ao laboratório. ― Mentiu Riley e Lucas parecia estar chateado, então para melhorar um pouco o clima ele fez uma proposta. ― Que tal se eu e o Barry batalharmos depois que você tiver seu primeiro pokemon?

― Pode ser. ― Respondeu o garoto triste. ― Vamos logo então.

Os três partiram em direção à rota 201, Lucas continuou suas conversas com o vento e Riley tentou ignorar o monólogo do menor. Os pensamentos do guia se confrontavam, devia ele falar a verdade para o garoto? Afinal ele já devia ter uns quinze anos para ser chamado por Rowan, ele não é velho demais para ter um amigo imaginário? Mas em contra partida, ele acabou de conhecer o garoto e como Lucas tem um histórico de fugir, não seria sábio tentar mostrar a realidade para ele enquanto ele não tiver um pokemon para se defender.

O fato que apesar de Riley saber que devia conversar com o menino, ele também não queria ter que adiar ainda mais suas aventuras porque fizera Lucas se perder no meio da mata. Ele tinha uma missão simples: Levar o garoto para Sandgem, talvez Rowan fosse até a pessoa certa para dar esses conselhos para o novo treinador.

Conforme os viajantes foram avançando na rota, o sol foi subindo no horizonte até atingir o ponto mais alto do céu, indicando que já devia ser por volta de meio-dia.

― Riley! ― Gritou Lucas, assustando o mais velho. Riley estava ignorando o garoto, por isso não deve tê-lo ouvido chamar.

― Sim?

― Estamos andando faz horas e eu estou com fome. Vamos parar por aqui para almoçar?

Riley apesar de só ter voltando a viajar a dois dias, ele já esta acostumado com a rotina dessas caminhadas mais longas, onde ele tomava um simples café da manhã, almoçava uma fruta ou só bebia alguma coisa pouco depois do meio-dia e apenas no jantar ele comia uma refeição mais elaborada.

― Certo. Lucario encontre algumas frutas para nós.

O pokemon balançou a cabeça ao ouvir a ordem e correu em direção do conjunto de árvores mais próximas. Enquanto isso, Lucas se sentava no chão e retirava de sua mochila um embrulho.

― Não se preocupe conosco, trouxe almoço de casa. ― Ele abriu o pacote e retirou dele dois sanduiches. ― Aqui Barry, pode comer um deles! ― Lucas ficou parado olhando para frente e recuou o braço com o lanche. ― Tem certeza? Não faz mal, mais tarde você come. ― Ele então guardou um dos lanches de volta em sua mochila e começou a comer o outro.

Riley balançou a cabeça para os lados tentando esquecer as cenas estranhas que o Lucas proporcionava com o seu parceiro invisível. Para espera Lucario voltar, o jovem foi até uma pedra próxima e se sentou sobre ela. Não demorou muito para o pokemon aparecer voltando, mas algo parecia errado, além dele estar sem nenhuma fruta, ele estava correndo muito rápido, tão veloz que o vento a sua volta se distorcia, ele estava utilizando o golpe ExtremeSpeed.

Riley sabia que seu pokemon não faria isso sem precisar, realmente havia alguma coisa de errado. O jovem virou para avisar Lucas, mas assim que ele olhou na direção que o garoto estava, sentiu uma forte irritação em seus olhos e teve de fechá-los no mesmo momento.

Riley involuntária mente esfregou os olhos e quando os reabriu, percebeu que seu pokemon estava com a perna coberta de fogo e estava dando um chute horizontal em um alguém. A pessoa caiu para trás desviando por pouco do ataque do pokemon, este deu então um rugido ameaçador. Lucario estava muito irritado, fazia um tempo que Riley não via ele desse jeito.

O desconhecido que estava sendo atacado pelo pokemon devia ter a mesma idade do Lucas, ele era loiro e estava usando uma blusa vermelha de manga comprida. Lucario não estava satisfeito por ter errado o golpe, então invocou um osso de aura em suas mãos, porém antes que o pokemon pudesse atacar de novo, Riley gritou:

― Lucario retorne. ― Um raio de luz vermelha saiu da pokebola de Riley e atingiu o pokemon enfurecido pouco antes de seu ataque acertar a pessoa. Lucario então desapareceu no meio da luz vermelha e foi sugado para dentro da esfera. ― Você está bem?

O garoto caído no chão, devido ao BlazeKick de Lucario, estava sorrindo.

― Riley, quando eu desafiei você para a batalha você me ignorou. ― Ele se levantou e bateu em sua roupa para retirar um pouco da poeira dela. ― Não esperava que você fizesse esse ataque de surpresa.

― Barry! Você está bem? ― Perguntou Lucas ao se aproximar do garoto loiro. ― Riley controle seu pokemon, Barry podia ter se machucado seriamente.

Riley estava confuso, aquele era mesmo Barry? Não fora ele o campeão da liga? Esses pensamentos invadiam a mente de Riley, mas eles não faziam sentido. Ainda estava no dia da semifinal, onde seria decidida a pessoa que enfrentaria Nature nas finas no próximo fim de semana. Não, Barry realmente ganhou a liga, sim agora Riley se lembrava. O garoto derrotara Nature no combate final, como ele poderia ter esquecido, tinha sido uma grande batalha. Cynthia havia aplaudido de pé no final do combate.

― Desculpe, eu não sei o que deu no Lucario. ― Riley realmente não sabia o que havia acontecido. De repente seu pokemon simplesmente começou a atacar Barry, mas antes parecia estar tudo bem, ele parecia estar tão calmo e o Barry... O Barry? ― Barry?

― Fala Riley?

― Desde quando você esta com a gente?

Barry parecia confuso com a pergunta, mas antes que pudesse responder, Lucas falou:

― Ele estava conosco desde o começo. ― Riley olhou para o caminho que o grupo havia acabado de fazer, reparou na trilha de terra e grama, realmente havia três rastros. No que ele estava pensando? Os três estavam juntos o tempo todo.

― Sim, eu apenas estava distraído. ― Os dois garotos trocaram um olhar e encararam o jovem. ― Deve ter sido a comida do centro, aquele lugar estava tudo mofado. ― Comentou Riley para aliviar um pouco o clima e em seguida forçou uma risada.

Lucas e Barry riram junto, mas a risada dos garotos parecia muito mais natural do que a de Riley, mas o que importava era que o clima no grupo estava mais calmo e sereno.

― Deve ser fome, Lucas porque não dá o seu sanduiche para o nosso guia?

Lucas não pareceu feliz com o pedido do garoto, mas acabou concordando e deu o lanche para Riley, não antes de oferecer metade para Barry, que novamente recusou dizendo que não estava com fome. Riley aceitou o pão e o comeu em poucos minutos. Durante o almoço eles deram mais risadas do acidente anterior, realmente fora só uma distração. Agora estava tudo mais claro na mente do jovem, Riley até lembrou que Barry foi o primeiro a sair do centro pokemon naquela manhã.

Quando Riley terminou o lanche, eles voltaram à caminhada para Sandgem. Riley teve vontade de liberar Lucario novamente, contudo não o fez. Teve medo que o pokemon se irritasse novamente e acabasse machucando Barry ou Lucas. Foram andando só os três como estavam fazendo antes.  

A caminha estava mais tranquila que antes, agora Riley estava participando da conversa com Barry e Lucas. O campeão não parava de contar sobre suas aventuras e sobre os mais variados pokemons que havia encontrado em sua jornada por Sinnoh.

Logo já estava entardecendo e eles já estavam chegando a Sandgem, quando então a pokedex de Riley apitou. Ele havia recebido uma mensagem, ele pegou o aparelho do bolso e percebeu que Chery havia respondido a mensagem do dia anterior, ela sempre demorava a respondê-las. Afinal ela sempre esquecia o aparelho em algum canto e não o ouvia apitar.

‘Estou muito feliz que minha irmã esteja nas finais! E você viu quem vai enfrentar ela? Candice, a garota da cadeira de rodas! Sim eu sei que ela não precisa mais do objeto, mas não é incrível? Devo estar mais ansiosa que minha irmã para final. De qualquer forma, no próximo domingo, logo após a partida, estarei pegando um navio para Canalave, nos encontramos em Jubilife?’

Riley parou de andar quando leu à mensagem, a liga ainda estava acontecendo? Mas Barry, o campeão, estava a sua frente ao lado de Lucas. O jovem então releu o texto de sua amiga e ainda conferiu a data de envio, Chery estava fazendo alguma brincadeira de mau gosto? Não, ela não brincaria com uma coisa dessas.

― Riley esta tudo bem? ― Perguntou Lucas preocupado. Riley olhou para o garoto e percebeu que eles estavam sozinhos, Barry não estava mais ali.

― Sim, só recebi uma notícia que eu não esperava. ― Ele não podia ficar preocupado com aquilo agora, estaria ele delirando?

Foi antão que o jovem percebeu que o campeão na verdade ainda estava ali, mas seu corpo não estava totalmente visível, era como se ele fosse um fantasma. Assim que Riley focou sua visão no corpo opaco do garoto, ele começou a ficar mais visível e seus pensamentos voltavam para a vitória de Barry na liga de Sinnoh e sua cabeça começou a latejar de dor.

Para tentar controlar a dor Riley fechou os olhos e forçou sua memória na mensagem de sua amiga, porque aquelas memórias estavam invadindo sua mente? Ele se perguntou, era como se alguma coisa estivesse alterando suas lembranças e ele não podia deixar que aquilo acontecesse.

― Riley! ― Ouviu alguém o chamando e ele abriu os olhos. Os dois garotos ainda estavam ali na sua frente. Lucas parecia confuso com tudo que acontecia, mas Barry, ainda com o corpo opaco, parecia irritado e encarava Riley diretamente nos olhos.


Barry parecia falar alguma coisa, mas Riley não conseguia ouvi-lo e então que o campeão fechou os olhos e desapareceu da visão de Riley. A cabeça dele parou de doer e suas memórias voltaram a se organizar, mas uma pergunta ainda permanecia em sua mente. O que era aquilo?


Notas

<<< | >>>

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Capítulo 2 - Início de um sonho (Lucas)

Amanhece mais um dia em Twinleaf, a cidade começa a despertar, mas Lucas já estava acordado, não dormiu nada na ultima noite, ele nem estava em sua cama. O garoto estava na sala, em frente a um altar negro, apenas observando a chama de uma pequena vela consumir o resto da parafina. No sofá, perto dele, estava Lara, mãe do garoto, era para a mulher estar acordada também, mas ela acabou adormecendo no meio da noite. Lucas deixou a mãe dormir, ele não precisaria da ajuda dela quando o fogo se apagasse.

Quando o sol finalmente conseguiu entrar pela janela da pequena sala, o fogo finamente se apagou. O garoto respirou fundo e deu uma última olhada no retrato sobre o altar. Nele havia uma foto e na moldura estava escrito:

‘Rodrigo Yue’

― Adeus pai. ― Lucas deitou a moldura sobre o altar e retirou o móvel de pedra da sala, fazendo tudo em silêncio para não acordar Lara. Levou o altar para o porão e retirou a foto da moldura. O garoto voltou até a sala e sua mãe estava despertando.

Os dois trocaram um olhar triste e Lucas entregou a foto para a mãe. Contudo Lara não pegou o retrato e o deixou no sofá. Ela foi até a parede onde havia um quadro vazio.

― Filho pegue a caixa que chegou ontem pelo correio. ― Falou Lara sem olhar para Lucas.
Ele obedeceu à mãe e foi até a cozinha, onde ela deixará o embrulho no dia anterior. Era uma caixa pequena, Lucas não fazia ideia do estava dentro. Sua mãe falara que ele poderia abrir quando a vela se apagasse, ao lado da caixa havia uma carta e esta era destinada a Lucas, vinha de Sandgem, mas ele não conhecia ninguém de lá. O garoto pegou a carta e a abriu.

‘Parabéns Lucas Yue,
Você foi um dos escolhidos para receber um dos três iniciais de Sinnoh este ano. Espero você aqui em meu laboratório de Sandgem para lhe entregar pessoalmente o pokemon.
Atenciosamente, Samuel Rowan’

Lucas não esperava por aquilo, ele não havia se inscrito para receber o inicial. Talvez isso fosse obra de sua mãe, ele estava feliz com a notícia, só não esperava poder sair numa jornada. A final fora a própria Sara que o havia proibido de fazê-lo por causa da gripe negra. O garoto pegou a caixa e levou até a mãe.

― Pode abrir, é um presente. ― Falou Sara, quando Lucas voltou à sala. Lucas rapidamente rasgou o embrulho e retirou de dentro do pacote um frasco com um liquido negro, nele havia um símbolo: Um ‘G’ dourado. ― Esta é a cura, use para se imunizar.

― Obrigado mãe... Mas eu não posso aceitar, se um de nós deve tomar isso, esse alguém é você!

― Não seja tolo filho, se você vai partir numa jornada, você precisa ser imune. Não me de o desgosto de ver o último membro de nossa família ser levado por este mal.

Lucas assentiu, e abriu o frasco, debaixo da tampa havia a ponta de uma agulha, era diferente aquele remédio, mas ele sabia exatamente o que fazer. Quando a cura foi anunciada na televisão, os representantes da Galáctica demonstraram como aplicar a cura. Lucas segurou firme o pote com sua mão direita, apoiando o polegar em sua base e então com um movimento rápido e preciso, ele fincou a agulha em seu antebraço esquerdo.

A dor foi imensa, seu primeiro reflexo foi tentar arrancar o objeto do braço, mas aquilo estava preso e a substância negra estava passando do pote para o seu corpo. A dor estava tão intensa que ele começou a gritar e logo não se agüentou mais de pé, caindo para frente e apoiando os braços no chão. O local que a agulha estava fincada latejava e Lucas conseguia ver algo semelhante a uma rachadura se espalhando em seu braço, perto do local aplicado.

Conforme aquela coisa se espalhava pelo seu corpo, a dor também se espalhava. A mídia dissera que o remédio tem uma ação rápida no corpo, contudo a dor era tanta que os segundos custavam a passar, mas logo as rachaduras começaram a se desaparecer e o pote, agora vazio, simplesmente caiu de seu braço. Lucas estava ofegante no chão, ele não estava mais com dor, mas ainda sentia seu corpo pulsando. O garoto tentou se levantar, mas perdeu o equilíbrio e caiu de costas com os braços abertos, ainda respirando fundo.

Lara fez uma expressão preocupada, enquanto olhava o filho ofegante no chão, mas Lucas sorriu de volta mostrando que estava tudo bem. A mulher suspirou aliviada enquanto o garoto a se levantava.

― Nossa que sensação horrível. ― Falou Lucas quando de pé.

― Não imaginava que era tão violento. Não era para menos, eles até disseram no programa que ela curava até aqueles nos estágios mais graves, expulsando a doença totalmente do corpo e criando defesas para imunizar o paciente. ― Lucas passou a mão sobre o local onde aplicara o remédio e ali havia uma marca negra. ― Combina com a marca da BCG.

Lucas riu do comentário da mãe.

― Agora devo começar minha jornada. ― Falou determinado. ― Mas... Onde fica Sandgem?

― Não se preocupe com isso, conversei com o professor por telefone e ele mandou alguém te pegar no centro pokemon, vai se arrumar. Ele já deve estar te esperando.

Sara saiu da sala e foi para a cozinha, Lucas não esperava que a mãe já tivesse tudo pronto para sua saída, desde quando ela já planejava a saída dele naquele dia? Lucas foi até o seu quarto e colocou uma calça jeans escura, um casaco azul e a boina vermelha de seu pai para acompanhar. Olhou para o espelho e achou perfeita a combinação. Pegou sua velha mochila de aventuras e colocou seu kit de acampar.

 Quando estava tudo pronto ele foi até a cozinha e preparou alguns lanches para o seu almoço. Ele então fez o café da manhã, como de costume sua mãe não estava com fome e não quis comer nada. Logo que ele terminou de se alimentar, Sara saiu da cozinha. Ela nunca foi boa em se despedir, nem quando Rodrigo teve de viajar para Jubilife ela havia se despedido. Lucas lavou a louça que ele havia usado no café da manhã e deixou a cozinha limpa como sua mãe gostava.

Assim que terminou de arrumar as coisas da cozinha, a campainha de sua casa tocou. Aquilo era uma situação estranha, Lucas geralmente não recebia visitas em sua casa. Quando o garoto abriu a porta, reconheceu na hora o visitante.

― Barry? ― Falou Lucas espantado. ― O que faz aqui?

― Como assim o que eu faço aqui? Esqueceu que nós prometemos fazer uma jornada juntos?
Aquilo que Barry estava falando era verdade, eles haviam prometido um ao outro quando eram mais novos que iriam explorar Sinnoh lado a lado, mas Lucas não esperava que fosse se concretizar, pois há cinco anos, quando Palmer, pai de Barry, visitou a cidade, ele levou o filho para morar com ele em Stark.

―Quando foi que chegou? ― Perguntou Lucas ainda pasmo pelo amigo estar ali.

― Cheguei hoje ao nascer do sol, mas não lembrava onde era sua casa. ― Barry coçou seus cabelos loiros. ― Acabei me perdendo.

Lucas começou a rir do comentário do amigo. Ele não havia mudado nada, mesmo sendo pequena Twinleaf, continuava a se perder.

― Já tem algum pokemon?

― Claro! Não me viu na TV? ― Lucas negou com a cabeça. ― Não acredito! Por eu ser mais velho que você, eu iniciei a jornada ano passado e adivinha?

― Não me diga que você ganhou a liga?         

Barry riu convencidamente e apontou com o polegar para o próprio peito.

― Eu falei para você que o dia que você fosse sair de casa eu já seria um campeão. Dito e feito. Agora vou guiar você pelo seu caminho para tentar, quem sabe um dia, me superar. ― Ele apontou para o peito de Lucas. ― Mas saiba que esse dia ainda esta longe de chegar.

― Esse dia, meu amigo, esta mais perto do que você imagina. ― Os dois ficaram sérios encarando um ao outro por alguns segundos, mas logo perderam a pose e desataram a rir.

― Esse é o espírito! Pronto para irmos?

― Claro! ― Lucas desviou do amigo para começar a jornada na frente, mas acabou tropeçando em alguma coisa e caiu no chão.

Ele olhou para o lugar onde seu pé esbarrara e ali havia caído uma moldura em cima de um monte de terra. O que aquilo estava fazendo ali? Perguntou-se o garoto enquanto pegava o retrato. O vidro do quadro estava velho e sujo, mal dava para ver a pessoa do quadro, mas na parte inferior da moldura ele conseguiu ler o nome.

‘Sara Yue’

O coração do garoto disparou ao ler o nome, ele olhou para o monte de terra e por um momento pode ver um altar negro com uma vela pela metade e apagada. Lucas se assustou ao ver aquilo e derrubou o quadro, ele olhou para Barry, mas seu amigo não estava mais ali. Sem saber o que fazer, ele começou a se arrastar para longe do monte de terra. Seus olhos se encheram de lagrima.

― Não pode ser. ― Falou ele relutantemente.

― Lucas! ― Gritou alguém no final da rua, o garoto se virou para ver de onde vinha a voz e ali estava Barry acenando. ― Você não vem?

Lucas olhou novamente para o monte de terra e não viu nada, devia ter sido só sua imaginação. Nem mesmo o quadro estava mais ali. Ele então se levantou e sentiu envergonhado de ter quase chorado em frente ao velho amigo.

― Estou indo! ― Gritou em resposta.

Sara apareceu na janela da casa e desejou boa viajem, enquanto Lucas corria para alcançar Barry.

― Não vai ficar quebrando a perna logo no começo de nossa viajem certo?

― Claro que não. ― Respondeu vermelho de raiva e vergonha e Barry riu da resposta de Lucas. O que fez este apenas ficar mais vermelho.

― Vamos logo para o centro, seu guia para Sandgem já deve estar cansado de esperar!

Os garotos continuaram seu caminho pela cidade, Barry acabou se perdendo como de costume e Lucas teve de lhe mostrar o caminho, logo eles notaram o telhado vermelho vivo único dos centros pokemon. A dupla se animou com a visão e apertaram o passo. Quando estavam para chegar ao local. Barry começou a correr e gritou enquanto se afastava.

― Vou indo na frente! Tenho que fazer uma checagem nos meus pokemons antes de partir.
Lucas não quis ficar para traz e correu para tentar alcançar o amigo, mas Barry era rápido demais e não parou mesmo quando passou por Julia, quase derrubando a garota. Lucas preocupado parou para ver se a Joy estava bem.

― Esse Barry! ― Falou Julia balançando a cabeça negativamente. ― Mal voltou e está apressado como sempre.

― Desculpe por isso Joy. ― Falou Lucas abaixando a cabeça. Fazendo a mulher sorrir.

― Não há o que se desculpar, não aconteceu nada. Já te falei que a crise da gripe negra terminou! Agora nada mais me derruba!

― Sim é verdade, hoje mesmo eu tomei a vacina para me imunizar! ― Falou Lucas com orgulho, tentando não pensar na imensa dor que foi tomar aquela injeção. ― Agora vou começar minha jornada!

― É mesmo? Sua mãe deve estar orgulhosa! Vá logo atrás do Barry, eu tenho que ir até o hospital ver se eles estão precisando de algo por lá. Se precisar de alguma coisa ali no centro, não deixe de pedir para Miriam. Até logo. ― Se despediu Julia enquanto retomava sua caminhada.

Mesmo a Julia sendo a Joy de Twinleaf, ou seja, uma especialista nos cuidados de pokemon. Ela ainda ajudava os médicos da cidade com os casos de gripe negra, um verdadeiro exemplo de sobrevivente, ela até ajudara o pai de Lucas, mas mesmo assim o homem não resistiu e acabou tendo que partir deste mundo, deixando a mulher e o filho. Lucas balançou a cabeça lateralmente, não era dia de ficar lamentando o passado, ele estava iniciando sua jornada, devia de ser o dia mais feliz de sua vida.

O garoto então foi em direção à porta do centro, mas quando estava para entrar no prédio, reparou que a porta automática não abrira para ele.

― Que estranho... Barry acabou de passar por aqui... ― Lucas se lembrou do velho habito do amigo de pregar peças. ― Então velhos hábitos não mudam mesmo? ― Provavelmente Barry devia ter desligado a porta. Então Lucas forçou a abertura da mesma.

Quando entrou no centro, percebeu que o lugar estava mal iluminado. Algumas lâmpadas estavam queimadas, Miriam devia não estar fazendo um bom trabalho para a Joy. Pelo menos o lugar estava limpo e organizado.

Barry estava recolhendo suas pokebolas da maquina de analises, as luzes estavam verdes, os pokemons dele estavam bem, era uma boa noticia. O garoto estava pronto para partir, Lucas foi correr em direção ao amigo para tirar uma satisfação da porta, mas no meio do caminho, Lucas pisou em alguma coisa.

Ele olhou para baixo e viu uma manta de hospital jogada no chão. Ela estava com uma mancha negra, só podia significar uma coisa: Alguém infectado com a gripe negra havia estado ali. Mesmo o garoto estando imune a doença, não permitiu que ele não se assustasse, afinal era costume as testemunhas evitarem contato com os infectados para prevenir o contagio.

Vagarosamente Lucas recuou para sair de cima da manta, o que ela estava fazendo ali? Perguntava-se o garoto, mas ele logo percebeu que ela não era única e o lugar, na verdade, estava cheio destas mantas espalhadas. O garoto começou a respirar com dificuldades, aquilo não podia ser real.

Ele fechou os olhos e respirou fundo para se acalmar. Quando ele reabriu os olhos, percebeu que fora tudo obra de sua imaginação, o cômodo estava limpo e não havia nada no chão.

Lucas escutou alguns passos de pessoas se aproximando e na escada surgiu Miriam acompanhada por alguém que o garoto não reconheceu, a mulher entregou um pote para o estranho, aquilo só podia ser uma dose da cura, era igual ao que o garoto havia tomado naquela manhã. O homem percebeu Lucas no local e questionou ele.

― Você é Lucas? ― Lucas assentiu. ― Ótimo, eu sou Riley, serei seu guia para Sandgem, pronto para iniciar sua jornada.

― Pode apostar que ele esta. ― Gritou Barry. E Lucas apenas sorriu, seu amigo estava certo, porém Riley continuou encarando ele.

― Então, esta ou não pronto para sua jornada?

Riley provavelmente queria ouvir aquilo do próprio Lucas, ele não ligava de ter que repetir o que o amigo dissera e gritou.


― Sim, é como Barry disse! Pode apostar que sim!


<<< | >>>

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Capítulo 1 - A gripe negra (Riley)

Estava escuro, Riley não sabia onde estava. Um som metálico se espalhava pelo ambiente, a frente dele aparece se aproximando um grande pokemon metálico com sete pontos em seu peito brilhando em vermelho. Riley não conseguia se mexer, ele tentou gritar por ajuda, mas sua vós era abafada pelo som que o monstro fazia. O medo era evidente em Riley, o pokemon continuava a se aproximar e quando ele estava bem perto.

― Não! ― Gritou o garoto se levantando. O pokemon havia desaparecido, o lugar não estava mais escuro e ao lado dele estava seu Absol, o observando silenciosamente. ― Este sonho novamente?  O sonho persegue Riley desde o dia que contraiu a maldita doença.

Ele não se lembra de muita coisa, havia acordado cedo para ir para o arquipélago de ferro ser guia para o renomado dono da siderúrgica de Sinnoh, Senhor Fuego. Parecia um dia como qualquer outro, a única diferença era que ele estava com o nariz congestionado e parecia estar com uma simples gripe.

Depois que Riley embarcou para as ilhas, a sua memória já estava mais vaga. Lembrava-se de levar o grupo que visitava a ilha até a nova área no subsolo. Após este evento, nenhuma outra imagem vinha mais a sua mente. Acordou depois de semanas no hospital de Canalave, os médicos disseram que ele tivera contraído esta doença nova, quando chegará ao hospital ele estava muito debilitado e teve varias paradas cardíacas durante o período de coma.

Os médicos não acreditaram quando Riley acordou, era um dos poucos casos que estava melhorando. A doença foi nomeada gripe negra por causa da coloração do catarro dos infectados. Riley passou mais algumas semanas em repouso até melhorar completamente, foi a primeira vez que ele tinha ficado tão próximo da morte, isso o fez para repensar na sua vida e se ele realmente tivesse morrido? O que fizera de sua vida até aquele dia?

Ele sempre andava inseguro, tinha medo de que pudesse acontecer alguma coisa e escolheu viver uma vida pacifica e segura, contudo foi vivendo exatamente este tipo de vida que ele contraiu a doença. Quando ele finalmente foi liberado do hospital, Riley não voltou para o seu antigo emprego nas ilhas e decidiu dar início a sua jornada ao lado de seu Riolu, ou melhor, de seu Lucario. O pokemon sempre esteve em harmonia com seu treinador, quando Riley escolheu a vida de aventuras, decidiu mudar, foi o que Riolu fez, mudou para acompanhar a evolução de seu treinador.

No dia que Riley estava saindo de Canalave, ele percebeu o quanto aquela doença tinha afetado o mundo que ele conhecia. Antes a cidade era movimentada e limpa, mas depois da gripe negra ela se tornou obscura e vazia. As poucas pessoas que ainda andavam nas ruas, choravam. Os hospitais estavam cheios, quando um paciente liberava uma vaga, seja por melhora ou pelo pior, logo alguém o substituía. Não foram poucas pessoas que haviam pegado aquela doença, aquilo era uma epidemia e o pior: poucos sobreviviam. Canalave nunca havia passado por uma situação como aquela.

Conforme Riley iniciava sua jornada ele compreendeu a verdadeira escala da crise que Sinnoh estava passando, a gripe negra não era algo exclusivo de sua cidade natal, a capital de Sinnoh, Jubilife, estava passando pelo mesmo problema, assim como Oreburgh. Quando ele chegou à passagem sul da cordilheira, um grupo policial impediu sua passagem para o lado leste do continente, eles estavam desesperadamente tentando impedir que a doença se espalhasse para o outro lado.

Riley seguiu sua viagem para Eterna, mas o mesmo aconteceu na passagem norte, como sua jornada não poderia continuar, ele se alistou no grupo de pesquisa contra a doença em Jubilife, onde começou a trabalhar para Rowan e passou a entender melhor o catalisador da epidemia. Não se sabe exatamente a origem dela, mas os primeiros casos haviam ocorrido em Canalave, no período da liga, o grande fluxo de pessoas no porto permitiu a assombrosa velocidade com que a doença se espalhou.

A pesquisa contra a gripe negra avançava sem sucesso até que uma empresa chamada Galáctica passou a financiar os estudos, uma das maiores descobertas era que a água do lago da verdade ajudava a controlar os sintomas, para ter um acesso melhor às águas do lago, Rowan muda seu laboratório da capital para uma cidade menor mais ao sul, chamada Sandgem.

Riley foi um dos encarregados de montar um pequeno centro de pesquisa as margens do lago, todos os dias o grupo mandava amostras e mais amostras da água para o laboratório de Sandgem, logo os casos de morte diminuíram muito e pouco depois fora reaberta as fronteiras entre leste e oeste de Sinnoh. Riley pensou em retomar sua jornada naquela época, mas ainda tinha um trabalho que devia terminar no lago da verdade.

Mais algumas semanas se passaram e chega uma maravilhosa noticia do centro operacional da Galáctica de Eterna, a cura havia sido sintetizada e logo eles poderiam começar a produzir em massa, foi uma festa naquele dia, finamente aquele mal poderia ser erradicado de Sinnoh! Contudo não seria tão fácil, pois o custo de produção do medicamento se mostrou imenso e não fora possível aumentar a velocidade de produção da maneira que eles precisavam, mas Riley já estava aliviado, seu trabalho chegará ao fim.

Ele agora estava pronto para retomar sua jornada, mas o tempo passou, e o ano estava acabando e não havia mais como participar da liga, então ele permaneceu mais alguns dias nas margens do lago da verdade, ajudando a desmontar o centro de pesquisas.

O Absol continuava encarando Riley enquanto ele se levantava, ele estava vivendo em uma barraca desde que terminaram de remover os últimos equipamentos do centro, ele é o ultimo dos pesquisadores a deixar o local. Retornou seu Absol e começou a arrumar as suas coisas para partir.

Enquanto Riley desmontava sua barraca a sua pokedex apitou, ele pegou o aparelho e viu que havia recebido uma mensagem de Rowan.

‘Bom dia Riley. Sei que hoje você estará deixando o lago da verdade e estará retomando sua jornada, mas gostaria de pedir um ultimo grande favor. Um dos três jovens escolhidos para receber o inicial deste ano foi um garoto chamado Lucas de Twinleaf. Por favor, passe a noite na cidade e amanha de manhã traga o garoto até o laboratório daqui de Sandgem, posso contar com você para isso?’

Riley não tinha porque negar um pedido do professor com que trabalhou tanto nas últimas semanas, então aceitou o pedido de Rowan enviando uma reposta afirmativa.

Riley terminou de desmontar sua barraca e de arrumar suas coisas para viajem. Mas ele estava esquecendo-se de algo muito importante, os seus pokemons, onde eles estavam? Absol já fora recolhido para a pokebola, Riley foi andando até a margem do lago e deu um forte assovio. Uma sombra apareceu na água e foi ficando maior até que de repente um Gyarados saiu rugindo de lá.

― Dormiu bem? ― Perguntou Riley ao enorme pokemon aquático que balançou a cabeça feliz em resposta. Riley pegou a pokebola de Gyarados e o retornou, agora só faltava... Riley ouve um latido vindo de trás dele, quando o garoto olha para trás, ali estava Lucario. ― Pronto para partir parceiro? ― Lucario latiu feliz em resposta.

Riley não retornou o pokemon, não gostava de colocar seu mais antigo parceiro dentro da pokebola, Lucario ficou ao lado do garoto durante todas as semanas que ele passou no hospital, os médicos nem cogitaram em tirar o pokemon de perto do dono. Era como se ambos estivessem ligados, talvez se Lucario não estivesse ali, Riley podia não ter sobrevivido. Não havia perigo para Lucario ficar perto de Riley quando este estava com a gripe negra, pois aparentemente os pokemons são imunes a ela.
Riley deu uma ultima olhada para o lago.

― Um dia vamos voltar a morar aqui Lucario? ― Lucario balançou a cabeça afirmativamente e Riley sorriu. Eles começaram a se afastar do lago e um som fino como o riso de uma criança pode ser ouvido. Teria sido o lendário pokemon guardião do lago se despedindo de Riley? Riley deu uma olhada para trás por cima do ombro, mas não viu nada além da água. ― Até um dia. ― Respondeu Riley, mesmo sem poder ver o pokemon misterioso.

Riley e Lucario continuaram a se afastar do lago, indo em direção de Twinleaf, a cidade era bem próxima do lago, quando Rowan estava procurando algum lugar perto do lago para montar o laboratório, não pensou duas vezes e escolheu Twinleaf, contudo a cidade não poderia receber o laboratório por dois motivos, o primeiro era que a cidade não tinha condições de receber um laboratório grande como o de Rowan e o segundo era que eles não tinham como transportarem o material da capital Jubilife até a cidade devido à falta de estradas.

Quando o centro de pesquisa ainda estava montado no lago, Riley e os outros pesquisadores recebiam visitas das pessoas da pequena cidade todos os dias, muitas vezes eles se ofereciam para carregaras amostras até a cidade, para que assim quando o grupo de Rowan quando fosse buscar a água não teria que ir até o lago, economizando algumas horas neste transporte.

Normalmente as visitas das pessoas era algo agradável, mas quando o estado da doença piorou na cidade, os hospitais dela ficaram lotados fazendo com que eles começassem a mandar os pacientes em estado grave receber tratamento com a água retirada diretamente do lago, o que acabou gerando sérios problemas, pois o centro tinha testemunhas como voluntários e a presença dos infectados tão próximos do local acabou por passar a doença para eles.

O caminho até a cidade era curto e logo Riley chegaria nela, mas como ele precisava estar lá só no outro dia pela manhã, ele não tinha pressa, Riley andou mais devagar que o normal aproveitando a paisagem, talvez ele tentasse capturar algum pokemon. Desde que ele havia começado a trabalhar para Rowan ele não tivera tempo de capturar mais nenhuma das criaturas a única mudança em sua equipe desde sua chegada ao lago foi o seu Gyarados.

Riley passava horas na beira do lago e acabou fazendo amizade com vários pokemons do corpo d’água, o Gyarados era como o rei do lago e sempre vangloriava de seu poder, o que acabou irritando muito Lucario e logo eles começaram as brigas, quando Lucario finamente derrotou o Gyarados, ele mesmo pegou uma das pokebola de Riley e capturou o seu rival, foi o assunto da semana no laboratório, o pokemon que capturou outro pokemon.

Apesar da vontade de Riley de encontrar um novo parceiro para sua equipe, a rota não se mostrava promissora, às vezes aparecia um Starly ou um Bidoof, mas eles logo fugiam assim que o garoto se aproximava. Depois de um tempo Riley desistiu e voltou para seu caminho em direção a Twinleaf.

Quando estava chegando à cidade, já era inicio de tarde e Riley encontrou vindo da cidade, um homem, este estava usando uma roupa branca e preta, estava carregando uma maleta e provavelmente ia para Sandgem. Riley se aproximou do homem para cumprimentá-lo e viu um ‘G’ dourado estampado em sua blusa. O garoto conhecia muito bem aquele símbolo, era o logotipo da empresa galáctica, provavelmente o homem tinha levando um carregamento da cura para Twinleaf.

― Boa tarde. ― Falou Riley.

― Boa tarde. ― Respondeu o homem. ― Você é Riley Otsoa?

― Sim, sou eu. Eu lhe conheço?

― Não, meu nome é Fabio. Sou um entregador da galáctica. ― Ele abriu a maleta e tirou dela um tubo com estampado com o logotipo da empresa. O objeto era transparente e tinha algum tipo de liquido negro dentro dele. ― Este é o seu pagamento pelo serviço prestado no lago. ― Fabio estendeu o braço para entregar o frasco para Riley.

Riley estava um pouco confuso, não havia sido informado de nenhum pagamento. Ele nem trabalhava para galáctica e sim para Rowan.

― Me desculpe, mas acho que ouve algum engano senhor.

― Não se preocupe, foi uma decisão recente dos representantes de Eterna. ― Ele retirou do bolso um pedaço de papel e começou a lê-lo. ― O projeto cura foi um sucesso, mas o produto se voltou com custo muito acima de nossa expectativa, então para honrar o trabalho dos cientistas e pesquisadores envolvidos será doado para cada um, um frasco contendo a cura.

― Então isso é a cura. ― Fabio confirmou com a cabeça. ― Eu não preciso, sou um sobrevivente.

― Sobrevivente? Você é um cara de sorte, eu só não morri porque fui uma das cobaias desta belezinha. ― Ele esticou o braço com o tubo para Riley. ― Não é questão de estar imune ou não, é o seu pagamento cara, use da forma que achar melhor.

Riley pegou o tubo ainda que não visse razão para pegar. Assim que ele estava com o objeto em mãos percebeu algo curioso.

― Um remédio negro para uma gripe negra. ― Riley franziu a testa. ― O que vocês usam para produzir esta cura?

― Não sei. Esta informação é confidencial, somente os meus superiores em Eterna sabem. ― O homem começou a falar mais baixo. ― Um dia eu estava encarregado de guardar a entrada da sede e chegou um carregamento da Tecnical, não sei o que era, mas eles falaram que tinha relação com a gripe negra.

― Tecnical? ― Perguntou Riley confuso.

― Tecnical é uma empresa recente de Veilstone, acredito que foi a Tecnical que descobriu a cura para a gripe negra, mas como eles não tinham condição de produzir em larga escala...

― Eles venderam a fórmula para vocês. ― Concluiu Riley.

― Talvez, acho mais provável que as empresas fizeram algum acordo, não tenho certeza, na verdade não era para eu estar falando sobre isso. Porém como você trabalhou no centro de pesquisa do lago da verdade, achei que devia saber. Mas por favor, não espalhe esta informação.

― Que informação? ― Perguntou Riley ironicamente e Fabio sorriu. Eles se despediram e se separaram. Riley olhou para o tubo em sua mão. ― O que eu faço com isso Lucario? ― O pokemon do garoto inclinou a cabeça para o lado em duvida. ― Depois eu penso nisso.
Riley guarda o tubo em seu bolso e continua em direção da cidade, logo chegou ao local e Twinleaf fora outra vítima da gripe negra, seu estado era parecido com o que Canalave estava no dia que começou sua jornada. Mesmo com a cura, era evidente que Sinnoh ainda demoraria a se recuperar do ano que passou.

O garoto foi direto para o centro pokemon, desde o fechamento do centro de pesquisa do lago, ele não fizera nenhuma vistoria em seus parceiros, já passara da hora de ver se eles estão bem de saúde. O Centro da cidade estava totalmente descaracterizado, o conhecido teto vermelho parecia mais marrom e as paredes brancas estavam pichadas com desenhos de pessoas caídas. A porta de vidro automática não estava funcionando e havia um aviso colado nela.

‘Não estamos aceitando infectados, vá para o centro de saúde ou chamaremos a polícia.’

Riley se sentiu mal ao ler aquilo, os centros pokemons são para os pokemons, mas ele nunca ouvira falar de um negando assistência médica para uma pessoa, a população devia estar furiosa com o centro, não eram à toa os desenhos da parede. Riley forçou a abertura da porta, ela estava um pouco emperrada devido ao acumulo sujeira nos trilhos.

― Saia daqui. ― Disse uma moça gorda que estava no balcão. ― Esse centro esta desativado.

― Desativado? ― Perguntou Riley surpreso. ― Faz semanas que eu estou dormindo em barracas, não poderia deixar pelo menos eu usar algum dos quartos?

A mulher bufou e foi até um armário pegar alguma coisa. Ela retirou do móvel uma chave e soltou em cima do balcão.

― Não ligue para a sujeira, não recebo mais material de limpeza aqui no centro.

Riley entrou no lugar, estava mal iluminado. Mais da metade das lâmpadas do teto estavam queimadas. O chão estava cheio de mantas espalhas e varias delas estavam com manchas pretas. O garoto se aproximou do balcão apenas observando a decadência do lugar.

― Muito obrigado por me deixar ficar Joy. ― Agradeceu Riley.

― Não sou nenhuma Joy garoto. ― A mulher apontou com a cabeça para o lado.

No local que ela havia indicado havia uma rocha escura e quadrada. Em cima dela havia uma foto e uma vela apagada. Aquilo era um memorial do primeiro mês, em Sinnoh existe uma tradição de que quando alguém falece, um destes memoriais é posto para a pessoa, nele uma vela de trinta dias é acesa. Este memorial serve para lembrarmos a pessoa que partiu e para aqueles que não tiveram a chance de ir ao enterro possam prestar seus últimos adeuses. Quando a vela acaba o memorial é retirado e as pessoas podem seguir em frente com suas vidas.

Normalmente estes memoriais são brancos, a coloração escura indica a gripe negra. A vela apagada geralmente mostra indignação dos conhecidos da pessoa.

― Ela se infectou ajudando as pessoas aqui no centro, mas quando ela não pode mais ajudar, não tinha ninguém para ajudá-la. ― Continuou a mulher. ― Pode me chamar de Miriam.

― Trabalhei tanto para impedir novas vítimas. ― Falou Riley triste.

―Não é culpa sua garoto, Julia morreu pelo que acreditava. ― Miriam olhou séria para Riley. ―  Você é um viajante? Não tem medo de pegar a gripe negra?

― Não se preocupe, sou um sobrevivente. E você?

― Sou uma testemunha.

Riley se surpreendeu com a resposta da mulher, provavelmente esse era o motivo dela ter proibido as pessoas de ficar no centro, ela deve ter medo de que aconteça com ela o que aconteceu com Julia.

― Entendo, posso usar as maquinas de analise nos meus pokemons?

― Pode, mas não estão funcionando. ― Riley foi até as maquinam para dar uma olhada, elas eram as únicas coisas que ainda estavam limpas naquele centro, o garoto apertou alguns botões, mas a máquina não respondia. ― Não adianta, Julia me ensinou a usá-las, mas elas quebraram.

― Vou concertar, Lucario use usa aura e busque qualquer falha interna do sistema. ― O pokemon criou uma esfera de energia e tocou na maquina. Enquanto Riley abria a placa de circuitos. ― Aprendi a mexer nestas coisas com Edson Bóreas, o engenheiro chefe da equipe pokétch. Ele estava dando um mini curso técnico para as pessoas que se alistaram para o grupo do lago.

― Pokétch? Aquele aparelho que alguns treinadores usam?

― Esse mesmo. ― Riley mostrou o pulso para Miriam. ― Este é o meu.

Riley ganhou seu pokétch no próprio mini curso de maquinas que fizera, nesse curso ele aprendeu a concertar todo tipo de máquina desenvolvida para os príncipais laboratórios, isto incluía as maquinas de centro pokemon. Riley logo encontrou o problema da maquina, alguns cabos de alimentação não estavam conectados corretamente, provavelmente na hora da limpeza, Miriam não soube remontar a maquina e Lucario logo afastou do aparelho balançando a cabeça negativamente indicando que ele não havia encontrado nenhuma falha interna.

― Miriam. O problema era que alguns fios estavam fora de ordem, sempre que for desconectar algum fio, lembre sempre de checar o manual de manutenção quando for conectá-los de volta. ― Riley terminou de arrumar e fechou o aparelho. Quando ele apertou o interrupto principal. A máquina fez um barulho e logo acendeu as luzes de funcionamento.

― Muito obrigada garoto, qual seu nome?

― Riley.

― Muito obrigada Riley. Estava pensando que tinha quebrado as maquinas de minha velha amiga. Ainda bem que era só este o problema.

Riley retornou o Lucario e colocou suas pokebolas na maquina, logo a maquina checou as esferas e ligou as luzes verdes, indicando que os pokemons estavam bem e não precisariam de tratamento.

― Porque apagou a vela da Julia?

― Porque o centro das Joy se recusou a mandar uma nova enfermeira para Twinleaf. Apaguei a vela para que quando a nova enfermeira chegar ela veja o estado do centro abandonado. ― Riley pegou a chave do quarto no balcão. ― Seu quarto fica no segundo andar na primeira porta a direita.

― Obrigado novamente por me deixar ficar, fique com isto. ― Riley colocou o fraco com a cura em cima do balcão. ― Cuide melhor deste lugar.

A cura da gripe negra também serve como vacina contra a doença. Riley foi para seu quarto, não estava tão sujo como a recepção do centro. Só com um pouco de pó demais, ele abriu a janela para deixar circular um pouco de ar. No quarto havia um pequeno Televisor, como ainda estava cedo e Riley não estava com sono, resolveu assistir alguma coisa. Quando ele ligou o aparelho, estava passando a liga pokemon. As batalhas passam de manha, mas a noite eles sempre passam os melhores momentos das lutas e as observações sobre as estratégias usadas nas batalhas.

― Senhoras e senhores. Estamos aqui hoje novamente com Palmer, nosso especialista em estratégias, para falar sobre o ocorrido desta manha. Como todos sabem hoje teríamos a semifinal de Nature Rose de Eterna, contra Carlos Fuego Junior de Floaroma, mas por algum motivo, Fuego não compareceu para a batalha e acabou perdendo por desistência. Qual sua opinião sobre isto Palmer?

― Carlos Fuego, mas esse não é o filho do senhor Fuego? ― Riley tinha uma leve ideia de quem era o garoto, ele estava na viajem para as ilhas de ferro no ano anterior. Ele ajudou a carregar Riley para o hospital quando este estava inconsciente. Ele havia conseguido passar para o lado leste de Sinnoh antes do bloqueio nas cordilheiras. Riley não sabia que ele estava participando da liga.

― Tentamos localizar o garoto, mas parece que ele já deixou a ilha logo depois de sua vitória na semana passada, contatamos o pai dele e parece que não é nada grave. Carlos simplesmente desistiu da competição, é uma pena acreditava que ele tinha grandes chances de vencer. ― Respondeu Palmer ao apresentador.

Riley desligou o aparelho, aquela notícia era muito inesperada, porque Carlos desistiria da competição? Ele tentou se lembrar de como o garoto era, mas não adiantou, era como se Carlos nem estivesse no navio naquele dia.

― Nature Rose? ― Riley conhecia muito bem este sobrenome, uma das pessoas que trabalhou com ele no lago se chamava Chery Rose, ela havia dito que mesmo sem poder participar da liga, ela estaria indo para o evento ver a irmã competir.

Riley deu mais uma olhada pela janela e viu o Sol se por. Ele pegou sua pokedex e escreveu uma mensagem para Chery.

‘Vi sua irmã na TV! Estarei torcendo por ela nas finais. Estou com saudades, vamos nos encontrar depois da liga?’

Riley enviou a mensagem para a amiga e abriu novamente a mensagem de Rowan para ver a foto do garoto que iria iniciar levar para o professor no dia seguinte.

Lucas? O que te leva a iniciar sua jornada neste continente em decadência?” Riley riu da própria pergunta. Ele devia estar ficando com sono por ter pensado naquilo e foi logo se deitar.


A cama estava um pouco bagunçada, mas era uma cama, fazia tempo que ele não deitava em uma e logo caiu no sono, preparando o corpo para os inúmeros desafios que enfrentara na sua jornada.


<<< | >>>